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Mandy Brancalion



Minha bagunça, eu nunca consegui organiza-la, já tentei a colocar, em cores, ordem alfabética, por mais procurados, e não, nada disso nunca adiantou, tudo sempre volta para a mesma insanidade.
Por isso concluí que a vida deve ser levada como quer... Plantas perto da janela, todos os cobertores em cima da cama, sutiã em cima do ventilador, nada disso vai mudar a bagunça, nem a garota lá fora, nem as árvores através da janela, muito menos a garrafa de Jack Daniel's vazia, em cima da escrivaninha. 
Minha câmera não vejo há uns dias, os pinceis, e tintas estão esparramados pelo chão, assim como meu sangue, que me tirou aquele domingo, me cortando ao meio, com a frieza que corria em suas veias, e a indiferença que bombeava seu coração. É cada vez mais difícil acreditar em reciprocidade, ou responsabilidade afetiva, você me tirou tudo, inclusive minha inspiração para escrever qualquer merda! Duas ou três palavras, não tão boas, Cage The Elephant, e um olhar vago para fora, é assim que estou tentando levar esse texto, em uma tentativa banal de me encontrar novamente, já que me levou em seu bolso, sem me avisar para onde estava se mudando.
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Dizem que o amor é a cegueira dos olhos, e graças a meses de convivência com você, posso afirmar com provas concretas sobre isso.
Passei muito tempo da minha vida curvada por todos, mas eu cansei de implorar, eu tenho certeza da minha capacidade e quão longe eu posso chegar comigo mesma. Sei do que mereço, copos "meio cheios" não são úteis para saciar a minha sede. Já me acostumei a optar por erros e sofrimentos, mas você foi a minha escolha diferente, infelizmente quando as cortinas caíram, a minha descoberta foi que eu estava lidando com algo que eu já estava acostumada, só mais um (?)
Tu me teve em tuas mãos, de um jeito tão bonito que todos paravam para admirar, éramos de invejar. Como continuarei, tendo que mentir para todos que somos tão perfeitos? Me perdi no que era real e nos meus devaneios, mas quando a névoa abaixou, tive a conclusão que mais um vez, me apaixonei pela minha invenção. Sempre te admirei por corresponder tanto as minhas expectativas... Mas não tinha percebido que aquele lá, era eu.
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Os corpos mentem, a boca desfruta da verdade
Meus olhos sentem, minha pele observa a variedade.

*

Mais uma vez me senti apenas um corpo, nada mais, sem personalidade, caráter, ou inteligência
Mas, afinal...? Não é isso que a sociedade nos impõe?
Somos mulheres!
Mulheres de um homem só! Mulher de casa!
MULHER!
Bela,
Recatada, 
e do Lar.
LAR... Lembro a última vez que pude chamar minha casa de lar, lá era um lugar bom de morar.
Ah! Era sim.
Mas hoje, é lugar de apanhar.
Vadia. Vulgar. PUTA!
"Só tá apanhando purque a culpa é tua!"


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Meus pensamentos andam sombrios, por sua culpa. Eu quero te matar, de uma forma silenciosa e indolor, vou apagar todas as pistas do assassinato e farei com que se pareça um suicídio, não se preocupe, não vai sofrer, vou te dopar antes. É, eu já tenho o plano. Eu preciso te matar, essa é a única maneira de apagar meu sentimento por você.
Irei comparecer em seu funeral, que será um dia cinza, porém não choverá. E eu estarei com meu sobretudo preto, e luvas negras de seda. Prestarei minhas condolências ao seus próximos, e derramarei lagrimas com sua família. Você não pode mais me fazer sofrer seis palmos abaixo da terra, pode? Acho que não é possível trair quando se está dormindo. Finalmente, você nunca mais vai fazer besteiras.
Por fim, jogarei minha rosa vermelha em seu caixão, porque você morreu pra mim!
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Você que sempre foi acostumado a viver na escuridão, acostumado a se vestir de preto, tinha uma alma que era capaz de colorir um arco-íris, e isso me encantou.

Eu realmente estava evitando de escrever sobre você, mas chega um momento, que o papel e a caneta passam a me chamar. São exatamente 01:17 da manhã de uma terça-feira de feriado na cidade, e eu estou dissertando sobre você em minha cabeça - coisa que admito que havia desacostumado a fazer por alguém. Estou ouvindo música, nada que me lembre você, mas algo que me inspira, Break My Heart, Hey Violet - só para saber minha condição do momento.
Estava deitada no chão da sala, ouvindo uma música que falava sobre colorir a alma, e as dificuldades da vida, ela certamente não me lembrou de você instantaneamente, mas permitiu que meus pensamentos vagassem até chegar a você.
Não se assuste, não estou perdidamente apaixonada, sendo uma fissurada ou algo do tipo, você somente me intriga de uma maneira inédita, digamos.
Posso não estar certa de suas intenções... Mas eu que sempre estive acostumada a desviar das armadilhas mais elaboradas, cai nos seus jogos mentais, e isso de certa forma me consome, e me desvia sempre para você, mantendo-me desfocada de todos meus planos tolos de escapar.
São indecisões de pensamentos, ideais e sentimentos, nunca gostei de viver em meio termo, por isso chutava tudo o que não fosse completo, mas eu me encontrei na sua confusão, e o que devo fazer agora?
Nunca ganho uma resposta completa ou satisfatória, estou aprisionada em um meio que não existe sim ou não, e me recusa a ir embora sem uma certeza, sem um aval, odeio viver com a cabeça martelando em "e se na realidade fosse para acontecer isso...".
Não posso negar de maneira alguma, que sinto uma ligação completamente inexplicável entre nós, algo forte e consistente, porém algo que estou longe de saber manusear, ou manter. Existe uma energia tão agradável que nos rodeia quando estamos juntos, uma energia em que me faz me sentir sã, e um pouco menos arruinada.
Talvez eu realmente esteja ficando louca em insistir tanto, talvez seja minha carência, talvez você só queria ser legal com um garota atrapalhada, dividida em tudo, até nas cores de seu cabelo. São muitos "talvez" para uma história só, não acha? E eu tinha prometido a mim que evitaria isso.
Já procurei ser o mais sincera possível com você sobre mim, mas juro que não espero mais nada em troca, só não sei por que ainda estou aqui, escrevendo sobre você em uma madrugada, sozinha, quando já tinha dito "desisto"!
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Os olhos perdidos em meio a peles, quentes, bronzeadas, branquelas e negras. A boca confusa, com os lábios sem rumo.

Me lembro da lua cheia e da noite fresca. 
A lua refletia em pequenas poças de água perto da guia da calçada, meus olhos captavam fragmentos, cada um com uma certa particularidade que passei a gostar. Entre eles, cito: castanho, linhas, cinza, preto, mãos, música boa, gargalhadas, divergências, um bom debate político, afinidade, belo sorriso sincero, sentimentos sem começos ou fins, entrelaçados, causadores de confusão.
Todos se prendem a definição, nascemos a querendo, e o que dizer das consequências daquela noite em que fomos encontrados na rua silenciosa, dançando na escuridão da lua?

Nada, nos perdemos em encontrar uma definição para os outros, e esquecemos do que realmente importava. Eu e tu.
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Quatro horas da manhã, dia quinze de julho de dois mil e dezessete.

Me encontrava na varanda, sentado em meio do silêncio que o ambiente proporcionava, meu cigarro no cinzeiro, e podia ouvir a música do meu vizinho, Chico Buarque.
A noite estava totalmente agradável para um apaixonado perseverante, o céu límpido, com poucas estrelas que o pontilhava. Bebia uma taça de vinho barato, e mantinha os olhos firmes na vista de uma pequena viela, via com clareza o que acontecia na casa da Elis, pelas suas grandes janelas de vidro. Gostava de bisbilhotar suas noites, não como um stalker, mas como um observador.
O namoro de Elis, era como um jogo, não era nada fácil, muito menos algo que fluísse com liberdade. Seus movimentos e falas eram pensados com antecedência, necessitava de estratégias, mas ainda sim denominado como amor.
Todas as noites, ela e seu namorado iam para o quarto, como um casal jovial e apaixonado, cheios de fantasias. Não fantasias sexuais, fingiam ser quem não eram, se vestiam de outro, cobriam-se de brasa, e ardiam em chama. Ardente. Fogo. É a palavra que eu definiria seu namoro, algo que esquenta, mas arde, machuca e dói.
Seu namorado era inconstante, por vezes apresentava-se violento, a fazia se sentir incapaz, a xingava, menosprezava, espalhava sobre ela a má fama, mas nada que ele não pudesse se desculpar com algumas curtas horas de cama.
Já a vi inúmeras vezes desmontar, logo que ele lhe vira as costas para ir embora, satisfeito de prazer, e ela se banha de lágrimas, obrigatoriamente satisfeita, mas de tanto ter que engolir desaforos calada. Tentei ajudar muitas vezes, sou um apaixonado perseverante, um apaixonado por seu sorriso singelo, e olhos pequenos, levemente puxados, seus cabelos negros lisos. Sou um apaixonado perseverante, um apaixonado por Elis, que é apaixonada pela dor e sofrimento. Coração masoquista. 
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Cobrem desesperadamente minha alma, mas despem meu corpo com a mesma ansiedade.
Pedem para que eu me cale
Mas que tire mais uma peça de roupa, só mais uma!
Me contam tantas mentiras, apunhalam minha inocência, e aos poucos me torno pedra.
São tantos toques sem calor, sem reciprocidade, que vou me congelando, me tornando parte da maioria. Corações gelados. Almas vazias. Olhos acinzentados.

São dois lados em luta constante. Amargura. 

Liberdade! Liberdade as mentes artistas, almas românticas, corações humoristas! Sociedade é uma cadeia de estereótipos, dos quais tememos, mesmo estando convictos de nós mesmos.

*

Tornando linhas pessoais, contarei minhas experiencias.
Uma mente moldada para o acolchoado, chocou-se contra pedras.
Levantei-me sem muito entender...

Não fale. Não fale. Não fale.
Toque. Toque.
Não sinta.
Goze.
Eram o que os sussurros me diziam.

Eu queria mostrar mais, ser mais, queria me descobrir, ou que me descobrissem, me explorassem, assim como me exploro
E dessa maneira, seria fácil enxergar um ponto
Um ponto que aquece,
um ponto bombeia,
e um ponto que na verdade é infinito, é enorme,
mas um ponto que hoje não enxergam.

Ninguém quer saber das tuas pinturas menina,
tire a roupa!
Ninguém quer saber da tua arte, mas se tua arte for ficar nua,
Mostre-a!
Coma!
Dê!

Ninguém quer saber de você, a menos que você seja apenas um corpo.
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Nesse fim de dia cobri meu rosto com noite e sangue, deixando um puro contraste entre olhar e fala. Parecia ter finalmente encontrado algum sentido pra vida, vesti a roupa que mais me agradava e parei em frente ao espelho... Foi ali que me perdi.
Minhas emoções e sentimentos sempre estiveram longe de ser algo certo, de caber em uma definição, são como fios emaranhados atrás da estante, de todos aparelhos eletrônicos que lá colocamos, mas nunca pensei que fosse capaz de me perder em uma tempestade, onde as nuvens fazem de parte de mim, e querem parar de chover. Por isso elas trovoam a pedido de socorro, e acidentalmente causam relâmpagos e raios afastando todos a sua volta, quando não os destroem ou machucam, anulando qualquer possibilidade de salvação.
Sou uma escritora romântica, mas precisava parar de falar tanto de você e começar a derramar um pouco de mim nessas linhas, aliás, você já não existe mais, não aqui. Aqui existem poucas coisas das quais sei nomear: medo, ansiedade, insegurança, preocupação, dúvida, tristeza, angústia, frustração, timidez e pessimismo... Estas estão tão bem alojadas dentro de mim, que já são como órgãos dos quais não sei viver mais sem, mas ainda tento inutilmente cuspi-los todos os dias. Diariamente me dopo, são três comprimidos diferentes, o primeiro é para acelerar o tempo, o segundo é para resolução dos meus problemas, e o terceiro é para esquecer quem já não existe mais, não aqui. Mas o tempo nunca passa, os problemas só aumentam, e o que era para esquecer, é uma clara e viva lembrança.
O mal se personifica e torna-se uma pessoa próxima, confiável, e me entrego de braços abertos, o abraçando com fervor. O tamanho do desespero não mede a quem agarrar, e esse é o meu erro.
A dor sobrepõe a razão, e me vejo em uma imensidão, uma imensidão de vazio, e eu me encontro no centro de tudo isso, sou o caos. Estou perdida dentro de mim, porque não sei me decifrar, e me tornei autodestrutiva!
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Cômodo escuro. Ambiente quente, toque quente, sentimento fervente. Nós. Um beijo. Sorriso seu, gargalhada minha. Olhos predadores. Boca descompromissada, vagando sem rumo. São as coisas mais marcantes que me lembro, do que me lembro, dentre tantas fases que passamos.
Nossos olhares eram como duas crianças brincando de pega pega, os meus olhos, fugiam, e os seus, corriam atrás.
Lembro-me perfeitamente do meu momento preferido com você, e ele não envolveu pele, nem boca, nem sussurros, muito menos suspiros. Se tratava de poucos minutos de silêncio, que se estenderam pela cama, que estávamos sentados, como lençol. 
Eram apenas três personagens, nós e a quietude, o clima totalmente adequado e propício para causar desconforto, mas com você foi diferente, não houve desconcerto de nenhuma parte.
Pela primeira vez, seus olhos sustentaram os meus, que já estavam cansados de se esquivarem. Dizem que o olhar é porta da alma, e apesar de não conseguir nenhuma resposta em seus olhos escuros, encontrei conforto e segurança, e de alguma maneira, totalmente subjetiva e intangível, me deparei com verdade, sanando minhas dúvidas.
Naquele silêncio eu te descobri de forma desnuda, e o nosso encontro foi tão bonito, e ao mesmo tempo, direto e esclarecedor. O relógio havia parado, e eu estava perdida, tinha mergulhado de cabeça, sem volta, me inundando por completa de ti, hoje duvido que tenha sido a coisa mais inteligente a se fazer, mas naquele momento, naquela hora, naqueles poucos minutos, que eu fiz deles dias, foi sem duvida fascinante, eu estava fascinada, fascinada por você.
Me permiti te tocar com os olhos, já que sou caracteristicamente uma pessoa observadora, detalhista, e minuciosa (em alguns casos), percorri seus cabelos castanhos e curtos, sua barba mal feita, sua boca que eu tanto gosto, e então parei, um sorriso me escapou pelo canto de meus lábios, e eu ainda lutava para esconder o fato de eu estar ridiculamente sem chão, na realidade, era esse o efeito que você tinha sobre mim, todas as vezes que me esquentava com seu olhar íntegro.
Era um momento comum, que eu o transformei em um dos nossos momentos mais especiais, não que você saiba (talvez, agora), quando o ponteiro voltou a ativa de maneira tão ligeira, meu coração voltou a bater, voltei a respirar, e nos desprendemos de uma conexão.
Tudo voltou ao normal, continuei a ser a garota que omite os sentimentos, e você a fingir ser algo que nunca foi, o único problema, e meu maior problema, é que até hoje, não consegui recuperar a perda da sua enchente em mim, e juro que ainda sinto resquícios de água fazendo marés, para perturbar e confundir meu coração.
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Eu conseguiria facilmente escrever essa história em poucas e singelas linhas, desnudas e cruas, mas não estaria sendo justa comigo, já que demonstro tão pouco, mas sinto apenas imensidões e infinitos.
Existem pessoas que tem forte atração e interesse em quem a faça sair da rotina, pessoas que torcem desesperadamente para que alguém apareça em sua porta no meio do dia, atrapalhando suas tarefas, e a leve para viver uma aventura não planejada, e sem previsão para fim ou visão de futuro. Já eu, fujo dessas pessoas, não gosto do novo - talvez porque não consiga controla-lo e manuseá-lo com facilidade e maestria -, mas a falta de planejamento me assusta, a falta de prazo e compromissos me deixam louca, talvez por ser pontual e sistemática demais, devo culpar o meu signo? É capricórnio, antes que perguntem.
Então, por um carinho que partilhamos em comum, você entrou minha vida como um fino fio d'água, que em tão pouco tempo foi se encorpando, ganhando força... Hoje você já um riacho que escoa dentro de mim, nasce quente em nossos beijos, escorre morno pelo coração, aquecendo o sentimento, e gela por fim, provocando um desconfortável e ao mesmo tempo incrível frio na barriga.
Somos opostos em muitas coisas, e esse é o nosso clichê, o clichê do qual me renderá inúmeros textos aqui, mas é o primeiro clichê da vida real que gostei. Está me inundando aos poucos, você me mostrou tantas facetas da vida, aquelas das quais eu tinha receio de provar, e ainda tenho tantos medos, mas você me prometeu tirá-los de mim, um por um, e acredito que assim fará.
Você é o tipo de pessoa que todos adorariam, vive intensamente e como se não houvesse amanhã, eu tinha certeza que era assim também, mas porque quando nos aproximamos me sinto tão careta e inconfortável?
Tu me bagunçou, tu me coisou, me deixou perdida, me nocauteou com teu sorriso descompromissado de uma maneira tão gostosa, que por mais que eu odeie não ter controle sobre as novas experiencias que você me proporciona, não sou capaz de reclamar, todo tempo com você compensa, você faz valer a pena.
Ainda sinto medo das aventuras nossas de cada dia, mas não posso ser desonesta comigo mesma, tenho que admitir que no fundo estou adorando tudo isso, não pelas experiencias, mas por poder estar tão perto de você, para sentir seu toque quente sobre minha pele arrepiada, e seus suspiros quando meus lábios gélidos tocam seu pescoço. Até agora acho incrível sermos tão opostos e nos encaixarmos tão bem, mais do que fisicamente, sentimentalmente e psicologicamente, temos polos negativos e positivos, hora se repelem, hora se atraem, fazendo ser tudo totalmente incerto, mas completamente constante, me provocando tantas certezas e tantas dúvidas, nos permitindo sentir mais, e criar uma curiosidade sem fim, não sobre você, ou sobre mim, uma curiosidade infinita sobre nós, e até onde iremos chegar.
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Nossos sentimentos um pelo outro foram selados por nós mesmos, e era tão inconstante, instável, mas ao mesmo tempo, intenso, verdadeiro e puro.
Sempre tivemos uma amizade baseada em lealdade, era como se eu sentisse a necessidade que você soubesse de tudo que acontecesse comigo, independente de nossas condições, se estivéssemos brigados ou não, mesmo se não fosse uma boa hora, eu queria te contar, e sempre esperei uma retribuição da mesma forma, sendo a maioria das vezes correspondida a minhas expectativas.
Já fui acusada de ser fria, ou grossa, por simplesmente dizer o que era preciso, sem ladainhas, não me importando se doeria, mas antes doloroso do que mentiroso, não é?
Me peguei inúmeras vezes, me perguntando, porque você? Te juro, ainda não tenho uma resposta plausível. Sei apenas que eramos uma excelente dupla.
Usamos nosso sentimento forte de alicerce para nossas construções, e a nossa confiança um no outro sempre foi a nossa arma mais forte contra quem nos queria separados. Superamos tantas fases ruins e tiramos com nossas próprias mãos - tendo a maior delicadeza do mundo - os piores defeitos um do outro.
Dizem que tudo que é bom acaba, que nada é para sempre, mas eu acreditei com todas as minhas forças que eramos superiores a isso. Influências, malevolências, eu distante e você fraco e manipulável, depois de tantos avisos e tempo que fomos o sustento um do outro.
Não acabou, mas enfraqueceu, e deixou de ser tudo aquilo que eu admirava, e que os outros invejavam.
Suas novas amizades distanciaram nossos ideais, em poucos meses você estava sempre ocupado demais para mim, aos sábados de noite, onde costumávamos guardar nossas confissões, se tornou seu dia preferido para esquecer de quem você era, encher a cara, provar coisas novas...
Tínhamos planos juntos para o futuro, viagens e descobertas, estudos... Prometemos desfrutar das boas experiências em conjunto, mas você já está tão avançado, fez tudo sem mim, usufruiu de todo o bom, e agora está afundando com uma porção de pessoas vazias no mau.
Posta fotos cheias de pessoas, sorridentes e chapadas, likes e comentários, sua localização é sempre a mesma, mas tem certeza que sabe o caminho?  Porque te vejo tão perdido.
Hoje tenho novas pessoas ocupando minha vida, pessoas maravilhosas, que me amam, talvez não na mesma intensidade que você, mas tenho a segurança de que nunca vão me abandonar, não da maneira tão repentina e fria como você fez. Ainda tem um espaço em mim, que costumava a te pertencer, as vezes penso ter sentido uma dor nesse buraco, e volto a tentar te recuperar, mas de ti só recebo desinteresse, e suas palavras são sempre tão cheia de felicidade, mesmo que carreguem tão pouco e sua feição diga o contrário.
Eu prometi a mim mesma que não me desgasto mais do que já fiz esses últimos anos, tentando te trazer de volta para mim, não consegue enxergar que seu lugar é aqui?
Mesmo que haja toda essa indignação de seu novo eu de minha parte, sempre deixarei seu lugar aconchegante para quando quiser voltar. Esse texto tem um único e breve propósito, dizer e afirmar com toda convicção e letras que eu ainda amo meu ex... Meu ex melhor amigo.
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E cá estou eu, mais uma vez, tentando esvaziar meu coração. Perdi a prática de transformar lágrimas e desesperos em linhas poéticas e metafóricas, então perdoe-me pelo caos. Se bem que, se sair um caos, será exatamente como minha mente ficou depois de você.
Se ler isso ficará orgulhoso pelo meu desconcerto, ou somente contente, pois não o vejo feliz pela minha alegria.
Mas, sem delongas sobre seus defeitos, que são muitos, e eu sempre os aceitei, ou os compreendi. Vou te dizer uma coisa que pode te surpreender, te entristecer, ou sei lá... Eu estou muito bem, dentro do possível. E eu não quero voltar.
Claro, não vou terminar algo hoje, e no dia seguinte estar sorrindo verdadeiramente. Sorrio amargamente, mas com o coração aliviado.
Nosso relacionamento pra mim sempre foi como a política do Brasil em 2016, vivi, vivo e ainda não entendi nada do que aconteceu, e quais os exatos danos que causou em mim.
Outra vez, me provaram que palavras são vazias, e por isso prefiro que não as digam. Para mim, olhares, sorrisos sempre me bastaram, mas para você não, queria que eu silabasse as cinco letras, que em meu mundo tem um significado enorme, e o dia que disser, quero que seja verdadeiro, que cem porcento do meu corpo e alma tenha certeza sobre.
Para mim você sempre foi noventa e três porcento. Um dia me arrisquei, eu te disse, tinha certeza apenas de duas coisas: eu te amava, mas, estava distante de ser da maneira de como você gostaria. Foram seis meses para eu compreender isso.
Para todos você sempre me amou, tão verdadeiramente, quanto um dia direi eu te amo para o alguém.
Como eu disse, me provaram que não sabem o poder, e muito menos o significado, de duas pequenas e simplórias palavras como um te e um amo.
Logo o garoto que queria que todo mundo visse por quem seu coração batia, que afirmava incansavelmente seus sentimentos por mim... Disse as palavras com tanta firmeza, mas nada de certeza.
Vamos ao ponto, meu Querido, você não sabe o que é amar!
Por isso eu retiro todas as vezes que cedi por você, lhe dando a razão, que eu era fria demais com alguém de quem eu tinha o coração.
"Fácil de falar, difícil de fazer" já ouviu essa frase? Aposto que sim. Vou ter que te explicar, quando se ama, não se apunha-la pelas costas, não difama, não mente, não quebra promessas, por mais toscas que se possam parecer. Quando se ama, compreende, se alegra, difama a boa imagem, desmente, e se para você amar é apenas quando estamos juntos, Querido, para você, que odeia estar errado, vou ter que te contrariar outra vez. E pare de ser esse geminiano incorrigível.
Luto em prol dos erros serem perdoados, desde que você não saiba que é um erro, a pena é que você está errando de propósito para me atingir - e vou ressaltar -, como sempre.
Incrivelmente, quem tem fama a de vagabunda depois dessa história sou eu. Deveria ser inacreditável, se não fosse óbvio.
Pode te incomodar bastante dessa vez eu não ter chorado, mas é porque dessa vez eu sei o que estou fazendo.
Não bancarei a fria, estou decepcionada, mas, pior do que com o nosso relacionamento, estou decepcionada com o valor que você atribuiu a mim, o valor que atribuiu a nossa amizade, aquela da qual você sempre foi tão otimista...
E esse texto acabará assim, confuso, sem um fim coerente, sem ter começado bem, nem ter acabado bem, exatamente como foi nosso relacionamento.
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"Não é possível ser esperto, inteligente e ao mesmo tempo, amar!"
É engraçado o jeito que colocamos as coisas quando estamos apaixonados. O mundo ganha uma nova perspectiva, passamos a ser melodramáticos e teatrais.
Ganhamos uma disposição melindre aos nossos dias, fazendo o que antes eram pequenos detalhes, se passarem por um lindo filme indie, como uma simplória gota de orvalho escorrendo até a pontinha de uma folha verde.
Como se tudo minimalista se tornasse uma explosão de cores, e lhe trouxesse um sentimento inovador e revolucionário.
Particularmente acho muito interessante, costumo estudar os apaixonados em meus horários livres, são como uma nova raça, superior ou inferior - deixo isso ao mercê de sua decisão - aos seres humanos.
Os atos de amor vem cada vez mais sendo atos de rebeldia, pois estamos na geração gelada, que o cérebro prevalece, somos frios e calculistas, não queremos filhos, não queremos casamentos, não queremos nenhum envolvimento com nenhuma pessoa. Nessa época, é o egoísmo que está acima das boas coisas, tão presente, que nem dividir os nossos corações queremos, inventando desculpas banais para não revelar nossos defeitos e medos, de nos decepcionarmos mais, do que nos decepcionamos com nós mesmos todos os dias.
Acontece que cada vez mais invertemos as coisas, e defeitos passam a ser qualidades, e vice e versa, temos medo de assumir sentimentos, mas, ao partir uma pessoa ao meio com palavras estupidas rimos e queremos divulgar o quão superiores somos.
O ponto a se pensar é que não somos superiores a nada, somos tão inúteis nesse universo quanto nomear cada grão de areia, sendo que ninguém nunca saberá todos. Por favor, discorram sobre isso sozinhos em sua mente, com calma e capricho... Parece que estamos na geração vagabundos e babacas.
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"A crise não é só econômica, é sentimental também."

Tudo foi com base a minha percepção, comecei a perceber que estamos em uma geração que, ao invés de a pessoa que for mais amável ganha, o premio é das amargas.
Uma nova geração em que queremos de todas as maneiras nos livrar do amor, como se fosse ruim. A política do desapego. Casais que disputam quem é o mais desinteressado, quem consegue ficar longe do outro por mais tempo, e no lugar de cultivar os bons momentos que poderiam estar acontecendo, estão ocupados regando a plantinha do orgulho em sua janela.
Já contei que sempre fui a garotinha apaixonada, mas que nunca soube demonstrar meus sentimentos, e odeio isso, eu gostaria que as pessoas soubessem a importância que tem em meu mundo. Em épocas antigas que via pessoas reclamando da minha suposta "amargura" hoje me invejam, dizem que seria seu sonho não demonstrar os sentimentos.
Parem com isso pelo amor de Deus!
Não é legal pisar em cima de quem te ama. Não é legal fingir não se importar.
Abra as portas de seu coração, faça a diferença que estamos precisando atualmente. Estamos com falta de amor, falta de carinho, falta de sentimentos sinceros, falta de portas abertas para novas paixões.
De alguma maneira colocaram que é muito melhor uma vida sozinha, somente você e seu orgulho, do que se abrir para novas experiencias tanto boas, quanto ruins.
Todo mundo se magoa, e parar de se magoar para magoar os outros, acredite, é mais triste ainda, talvez não para você, mas para eu que vejo de fora, te enxergo sozinho.
Eu não troco desfrutar de novidades que te fazem levitar, que podem lhe proporcionar um sentimento intenso e doce que você jamais provou, ou talvez simplesmente provar um sentimento simplório e caseiro que não seja como você esperava, por um coração inteiro.
Está tudo tão errado ultimamente... Esqueço de avisar que estou ocupada para responder no Whatsapp, assim que me desculpo a pessoa se dói e demora o dobro para responder, e começa a disputa para mostrar quem menos sente falta do outro.
Que me perdoem os que estão bem, mas ninguém foge do amor, não é uma coisa que você corre atrás, é uma coisa que vem até você quando menos espera.
Parem de se desesperarem pelo seu par e parem de agir friamente, estão sendo ridículos. Só parem, por favor! Esse é um apelo pelos corações contagiados pelo inverno, e se petrificaram perante a decepções.
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Ultimamente ando pensando o que fiz para esse turbilhão de coisas ruins em minha vida... Seria azar? Será que do jeito que sou distraída passaram quinze gatos pretos a minha frente e eu não vi? Ou minha vida parou no tempo justo em um sexta-feira 13? Não lembro por baixo de quantas escadas passei essa semana, mas sei que meu amigo quebrou meu espelho, será que isso conta? Será que o azar se confundiu em sua transição e veio para mim?
Estou tentando procurar explicações para que a cada dois passos que dou para frente sou empurrada três para trás. Sempre tento permanecer otimista, "Ei se uma porta se fecha é porque irá se abrir outra!", se algo terrível aconteceu era para evitar que algo pior viesse, é para mudar nosso destino, para abrirmos os olhos, para escolhermos as decisões certas. Mas cada problema prejudiciais a mim que resolvo outro aparece, e outro, e outro, e outro, não sei se me cansei, mas quero um basta!
Já sou confusa, desorganizada, não preciso de mais pilhas de problemas em minhas costas. Lembro-me que disse a mim mesma, que esse mês seria diferente, que minhas decisões seriam bem pensadas, e repensadas, que eu me tornaria mais dedicada, que eu correria atrás do que precisasse e quando fosse necessário para tudo permanecer em seus eixos, e tudo acabar com harmonia.
No inicio, eu estava levando tudo muito bem, e tudo saia muito certo, então um deslize meu, daí para frente tudo se tornou uma correria por causa de um pequeno atraso, depois disso foi vida ou o karma, tudo se tornou uma bola de neve rolando montanha a baixo, e ela só irá parar quando se chocar contra algo que a partirá no meio, e eu juro que queria que houvesse como para-la, não estou com minha melhor situação psicológica para aguentar palestras sobre minha inutilidade e irresponsabilidade, quando ninguém sabe o quão difícil que é se olhar para o espelho e não se contentar com você mesmo. Não digo de aparência, digo de decisões tomadas inconsequentemente e sem querer, de erros cometidos acidentalmente e ter que assumir a culpa, de distrações prejudiciais, e a falta de atenção aos detalhes importantíssimos.
É como se você pulasse em uma inocente piscina de bolinha, e lá se afogasse vendo que por um descuido seu acabou caindo nos mais profundos dos oceanos, e quando tenta chegar a superfície qualquer esforço seu, por mais que grande, na altura do campeonato se parece inútil. Se sentir insuficiente é a pior coisa que poderia acontecer, e é assim que eu me sinto, e não há botes, não estou usando coletes salva-vidas e não há ninguém que queira se arriscar para me salvar, e mesmo que houvesse seria em vão, estou sozinha nessa, e mesmo que esse oceano, se torne em uma multidão de pessoas, continuo me afogando, porque não importa em que oceano me colocar, nunca irei saber nadar, nunca conseguirei chegar a superfície, nunca irei respirar sem me arrepender.
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07 de Junho de 2016 - Brasil, São Paulo

Olá mais nova velha amiga,

Já faz um tempo desde de que lhe escrevi a última carta. Não foram muitas que mudaram por aqui, o dia dos namorados está chegando e vejo todos a minha volta tão animados, quando eu não vejo graça nenhuma, as vezes acho até ofensivo gastarem um dia para celebrarem algo tão inútil.
Nunca nos vimos pessoalmente, mas vou te contar, eu Heitor, possuo 1,83 M de altura, dezessete anos, sou branco, mas um branco pálido, daqueles que aparentam nunca ter visto o sol, facilmente de ser confundido com um vampiro, principalmente pelas minhas fundas olheiras. Resultado de uma noite mal dormida por sempre ficar jogando até mais tarde, mesmo quando minha mãe diz "Chega!".
Meus cabelos são de um castanho escuro caramelizado, com cachos largos caídos acima dos olhos, que também são castanhos, um típico estranho do ensino médio... Não vou dizer que também sou um típico excluído porque estaria mentindo. Tenho amigos, amigos fiéis, e amigas divertidas também.
Enfim, voltemos o assunto do dia dos namorados, esse porre que me persegue.
As garotas da escola estão todas animadas, indo mais arrumadas para a escola, sempre com um sorriso, as vezes forçados, no rosto, como se fosse ajudar em alguma merda. Pessoas iludidas me irritam.
Não é porque tá chegando um dia inútil que comemora casais vazios, que vai dropar seu príncipe encantado do chão e te pedir em casamento, acorda!
Só sei Lidia, que está difícil suportar quando até mesmo a Amélie entrou nessa de se iludir, justo ela que sempre a considerei tão diferente, agora a enxergo como burra.
Ela me chama de chato e mal-humorado enquanto mexe no meu cabelo com um sorriso, e isso me faz pensar o que fez com que ela entrasse nessa vibe de retardados, por favor Lidia, não se explique com o argumento de que ela é mulher, Amélie é muito superior a isso, ela não é só uma mulher, sempre se mostrou mais.
Agora está correndo atrás de um fotógrafo idiota do 3ºB, já tentei abrir os olhos dela, mas não, aquela besta é incorrigível, e tão cabeça dura.
Junho, o mês do mimimi, mal começou e já estou querendo Julho. Queria poder te visitar, Curitiba parece ser tão legal de acordo com as fotos que me envia... Ainda tenho esperanças de que iremos nos conhecer um dia, e então poderemos escutar juntos Mumford & Sons enquanto observamos uma fogueira no seu acampamento favorito.
Preciso só que essa merda de ensino médio acabe logo, estarei livre de coisas idiotas, e pronto para me aventurar com você, e Amélie, se ela não desistir de mim.

Com amor,

Heitor.
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Pessoas que são inseguras sempre tendem a ser pessimistas, e tem sempre um "e se" antes de suas atitudes. Eu sou uma dessas pessoas, sou insegura, receosa, pessimista e sempre falo o "e se"...
Costumo dizer a mim mesma, vivo tanto pensando nas possibilidades para dar errado no futuro, que esqueço de acertar no presente.
Sempre coloquei meu corpo e alma à frente de tudo, me entreguei por inteira, e sempre esperei que fizessem o mesmo. Afinal fazia isso exatamente para que me retribuíssem da mesma forma.
Nem todas as experiências são boas, e as minhas, sem exceções, foram péssimas. A primeira vez que aconteceu, foi logo quando descobri a função do coração, não a de bombear sangue, não a científica, a poética, a de bombear amor e prazer.
Foi quando senti em carne e unha o que era gostar de alguém de verdade, não era aquela coisa de "hm, gosto.", era um sentimento mútuo e constante, cheio de variáveis inexplicáveis, me fazia transbordar toda vez que o via, e mesmo sendo uma época difícil para mim, ele coloria meus dias. Era um sentimento jovial e aveludado, gostoso de ser sentido.
Logo após, uma queda. Não foi culpa dele devo ressaltar, eu mesma me perdi no que era real, e no que eu inventei baseado em sonhos e vontades. Mas a queda não foi tão feia, machucou, doeu, deixou marcas, despejei lágrimas, e no fim foi uma lição.
Sempre quando você supera a fase "mais difícil por qual já passou", suspira aliviada, se esquecendo que o jogo ainda não está acabado, e que a vida é gradativamente destrutiva, até que você perceba que querer lutar para ganhar o posto é para os fracos, seu posto quem impõe é você mesma.
Não fazia ideia disso, e minha próxima fase foi a pior de todas, foi a que me deixou as piores marcas, a que não me deixou boas lembranças, as que eu considerava como boas se dissiparam na verdade, porque eram das mais ridículas mentiras. Talvez eu tenha tido uma boa lição, mas sou uma discípula do errado.
Só sei que em meu banal ponto de vista estava tudo certo, ele era diferente dos outros, era atencioso e fazia discursos sobre eu me abrir mais, não era sua intenção me machucar, ele queria ajudar, me amar... Toda vez que me lembro disso rio, sabia?
Era a única tola a acreditar. Passou? Passou, aliás, tudo passa. Chorei, gritei, fiz birra, fiquei de mimimi, me fiz de vítima, fui a vítima, fui a errada. Quando estamos decepcionados por amor, fazemos a merda sabendo que estamos fazendo merda, e muitas vezes é proposital.
Só sei que depois daí virou uma bola de neve, ele conseguiu perturbar tanto minha cabeça, que um dia parecia uma hora, passava em um piscar de olhos, e eu não tinha rido nem sofrido, não estava aproveitando minha vida.
Uma hora tirava ele da cabeça, outra o colocava de novo por vontade própria, tinha vez que eu o odiava, outras que eu o amava. Até hoje nunca entendi essa fase...
Um dia pensei que teria achado o cara certo, mas ao mesmo tempo ele era errado. Eu gostava dele, mas não com todo meu coração e vontade, por mais que tentasse. E por mais que eu não quisesse, sempre tinha outros que me chamava mais atenção. A partir daí percebi que não daria certo, e depois de tantos dias pensando que o amava, no fim mal gostava.
Depois de tantas experiências estranhas, e ruins, me fechei, não propositalmente, eu nem sabia que era fechada até me contarem.
Não consigo confiar, não consigo acreditar, nem aceitar, muito menos ser positivista com relação ao namoro, e um dia chegaram para mim e disseram "Seu amor futuro não tem culpa da sua decepção do passado!", e não é que é verdade?
Perdi muitas oportunidades me fechando a elas, mesmo que as quisesse, não tinha coragem, nem vontade de me arriscar novamente. Mas o que seria de nós sem se arriscar?
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Hoje em dia apesar de todas as mobilizações para acabar com o machismo, ele ainda está em todas as partes, resolvi dar meu parecer sobre o assunto.
Estou simplesmente cansada de ser julgada como puta por ser mulher e querer meus direitos, ou até mesmo seguir os ideais de minha pessoa, que nenhum um homem ou até mesmo mulher tem a ver!
No fim eu cheguei na seguinte conclusão, eu sou puta!
Sou puta por querer usar shorts, ou uma mini saia, em um dia de um sol de quarenta graus estralando nas minhas costas.
Assumo ser puta por nunca sonhar em ter um casamento com o príncipe da Disney, nem ter quatro filhos correndo pela casa. Sou puta, pois sendo solteira me imponho o direito de ficar com garotos sem querer compromissos futuros.
Puta por não querer ser dona de casa e passar o dia lavando louça, ou varrendo o chão. Puta por não saber nem fritar um ovo sem me queimar com o óleo quente.
Tenho orgulho de ser puta por pintar o meu cabelo da cor que eu quiser, do preto azulado para o verde, e se me der a louca ainda consigo chegar em um platinado maravilhoso! Ah! Não podemos esquecer, que o comprimento é decisão minha, não me importa sua opinião, serei Rapunzel se quiser ser, e serei João se me der vontade.
Minhas roupas não lhe vem ao interesse. Uso moletom quando e na ocasião que eu estiver afim, não ligo se estou masculina ou feminina. Aprenda que isso não mudara minha sexualidade, por favor né...
Que me desculpem os sem ânimo, mas para a escola eu vou de batonzão vermelho sim, e sou puta por isso mesmo!
Passo pó e capricho no make, até virar uma Kardashian, mas o dia que não me der vontade vou simplesmente de pijama, cara lavada e um coque com o cabelo sujo...
Sempre achei que puta era uma ofensa, mas de acordo com a sociedade são esses os os significados, sendo assim eu sou puta, e ninguém mais me atinge com isso.
Meu sonho é ter cabelo de João, uso batom vermelho, mas vou para a escola de moletom. Nem me fale de casamento que passo longe... Filhos então!
Não sirvo para limpar a casa e não sei fritar um ovo, já tive meu cabelo de todas as cores que os fios resistiram e ainda sou feliz.
Juro que tento entender, mas para mim o julgamento puta não faz mais o menor sentido como um julgamento, se ser puta é ser quem você é livre das vontades da sociedade, é um estilo de vida, e assim sou.
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Querido Antônio,
Envio-lhe essa carta, cheia de pedidos, desculpas, arrependimentos e explicações. Espero do fundo do meu coração que seja compreensivo comigo, pois sou cheia de defeitos e indecisa até para escolher a cor do canudinho do meu refrigerante, seria de admirar se te respondesse rapidamente e com certeza, o que raramente acontece pois minhas palavras incertas são cheias de dúvidas.
Vamos começar pelos meus sentimentos, ele é o coração desse nosso problema.
Eu juro que sei que eu tenho problema ao escolher quem será meu próximo amor, mas também juro que não sei qual é o problema... Nem se eu fizesse uni duni tê daria tão errado.
Reparo em como você acompanha meus passos, e como toma conta de mim mesmo que de longe, mas me desculpe  ser quem sou.
Por mais que pense que não, eu sei todo o valor que possui e compreendo também seus sentimentos, desculpe, meu racional sabe de suas persuasões e luta completamente ao seu favor, mas um dia fiz uma promessa a mim que antes de agir teria que ser unanime e tanto o racional como o emocional teria que concordar, e bom... Um dos lados não te favorece.
Me desculpe Antônio, me desculpe por ser fraca, sentimentalista, dramática e exagerada, sei que gosta do meu jeito, mas eu me assumo como uma pé no saco!
Também peço perdão por ter apenas vinte e já te dizer que tenho tantos problemas, me desculpe por não te corresponder e me desculpe por estar escrevendo essa carta.
As vezes me sinto culpada, por te dizer uma coisa, e fazer completamente outra, fazendo mais uma vez com que você perca a fé em mim. Juro que não é de propósito, mas eu realmente não sei o que quero, porém sei do que preciso, mas sempre tem aquela minoria que por mais errada que esteja é a ela que você dá razão.
Eu realmente sinto muito por você ter escolhido a mim entre tantas outras, Antônio, eu poderia ser quem você quer, mas tenho meus defeitos, assim como você tem os seus, e eu espero que um dia seja capaz de me perdoar por essa despedida tão vazia, mas acho que seria incapaz de fazer algo mais elaborado sem me arrepender desse "Adeus".
Então aqui vão meus nove desculpas, e para finalizar te despeço com mais um.
Me desculpe por ser quem sou.

Abraços,

Paola.
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Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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