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Mandy Brancalion


07 de Junho de 2016 - Brasil, São Paulo

Olá mais nova velha amiga,

Já faz um tempo desde de que lhe escrevi a última carta. Não foram muitas que mudaram por aqui, o dia dos namorados está chegando e vejo todos a minha volta tão animados, quando eu não vejo graça nenhuma, as vezes acho até ofensivo gastarem um dia para celebrarem algo tão inútil.
Nunca nos vimos pessoalmente, mas vou te contar, eu Heitor, possuo 1,83 M de altura, dezessete anos, sou branco, mas um branco pálido, daqueles que aparentam nunca ter visto o sol, facilmente de ser confundido com um vampiro, principalmente pelas minhas fundas olheiras. Resultado de uma noite mal dormida por sempre ficar jogando até mais tarde, mesmo quando minha mãe diz "Chega!".
Meus cabelos são de um castanho escuro caramelizado, com cachos largos caídos acima dos olhos, que também são castanhos, um típico estranho do ensino médio... Não vou dizer que também sou um típico excluído porque estaria mentindo. Tenho amigos, amigos fiéis, e amigas divertidas também.
Enfim, voltemos o assunto do dia dos namorados, esse porre que me persegue.
As garotas da escola estão todas animadas, indo mais arrumadas para a escola, sempre com um sorriso, as vezes forçados, no rosto, como se fosse ajudar em alguma merda. Pessoas iludidas me irritam.
Não é porque tá chegando um dia inútil que comemora casais vazios, que vai dropar seu príncipe encantado do chão e te pedir em casamento, acorda!
Só sei Lidia, que está difícil suportar quando até mesmo a Amélie entrou nessa de se iludir, justo ela que sempre a considerei tão diferente, agora a enxergo como burra.
Ela me chama de chato e mal-humorado enquanto mexe no meu cabelo com um sorriso, e isso me faz pensar o que fez com que ela entrasse nessa vibe de retardados, por favor Lidia, não se explique com o argumento de que ela é mulher, Amélie é muito superior a isso, ela não é só uma mulher, sempre se mostrou mais.
Agora está correndo atrás de um fotógrafo idiota do 3ºB, já tentei abrir os olhos dela, mas não, aquela besta é incorrigível, e tão cabeça dura.
Junho, o mês do mimimi, mal começou e já estou querendo Julho. Queria poder te visitar, Curitiba parece ser tão legal de acordo com as fotos que me envia... Ainda tenho esperanças de que iremos nos conhecer um dia, e então poderemos escutar juntos Mumford & Sons enquanto observamos uma fogueira no seu acampamento favorito.
Preciso só que essa merda de ensino médio acabe logo, estarei livre de coisas idiotas, e pronto para me aventurar com você, e Amélie, se ela não desistir de mim.

Com amor,

Heitor.
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Sou aquelas meninas que vivem apaixonadas sabe? Sonha acordada com o famoso romance de cinema, apesar de nunca demonstrar isso e afugentar muitos sendo fria, esses são meus reais sentimentos, mas nada disso chega aquele tipo de garota melodramática que sai por aí com qualquer um somente para não ficar sozinha.
Sempre sofri um pouco com essa história de sonhadora e esperanças inesgotáveis, mas com você está sendo tão diferente, e estranho.
Ao mesmo tempo que nos vejo tão distantes, tento encontrar explicações de não sermos tão próximos. Acho que estou me precipitando, mas quem se importa? Já está tudo acabado, destruído.
Tenho receio e ao mesmo tempo, correr o risco parece ser emocionante.
Você é tão diferente, como nunca o enxerguei antes?  Parece ser tão certo para mim, porém suas reações é que sou totalmente errada para você.
Temos mais em comum do que qualquer outra pessoa, você não faz ideia! É engraçado. Não é o tipo de sentimento gritante que nos faz dar a vida por alguém sabe? Mas é o sentimento na medida certa, que não é tarde demais para desistir, nem cedo demais para tentar.
Queria que enxergasse tudo o que vejo, então ouviria sem questionar, suas gargalhadas, quando digo que seriamos uma boa dupla.
Apenas uma chance seria o necessário para lhe mostrar. Vejo todos os dias você batendo na porta do erro.
Hoje foi uma surpresa, afinal, finalmente bateu em uma porta diferente, provavelmente um erro, um erro que como sempre você quis arriscar, porém, esse parece o erro mais certo que tentou.
O meu medo é que esse erro não sou eu.
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Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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