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Mandy Brancalion


Cômodo escuro. Ambiente quente, toque quente, sentimento fervente. Nós. Um beijo. Sorriso seu, gargalhada minha. Olhos predadores. Boca descompromissada, vagando sem rumo. São as coisas mais marcantes que me lembro, do que me lembro, dentre tantas fases que passamos.
Nossos olhares eram como duas crianças brincando de pega pega, os meus olhos, fugiam, e os seus, corriam atrás.
Lembro-me perfeitamente do meu momento preferido com você, e ele não envolveu pele, nem boca, nem sussurros, muito menos suspiros. Se tratava de poucos minutos de silêncio, que se estenderam pela cama, que estávamos sentados, como lençol. 
Eram apenas três personagens, nós e a quietude, o clima totalmente adequado e propício para causar desconforto, mas com você foi diferente, não houve desconcerto de nenhuma parte.
Pela primeira vez, seus olhos sustentaram os meus, que já estavam cansados de se esquivarem. Dizem que o olhar é porta da alma, e apesar de não conseguir nenhuma resposta em seus olhos escuros, encontrei conforto e segurança, e de alguma maneira, totalmente subjetiva e intangível, me deparei com verdade, sanando minhas dúvidas.
Naquele silêncio eu te descobri de forma desnuda, e o nosso encontro foi tão bonito, e ao mesmo tempo, direto e esclarecedor. O relógio havia parado, e eu estava perdida, tinha mergulhado de cabeça, sem volta, me inundando por completa de ti, hoje duvido que tenha sido a coisa mais inteligente a se fazer, mas naquele momento, naquela hora, naqueles poucos minutos, que eu fiz deles dias, foi sem duvida fascinante, eu estava fascinada, fascinada por você.
Me permiti te tocar com os olhos, já que sou caracteristicamente uma pessoa observadora, detalhista, e minuciosa (em alguns casos), percorri seus cabelos castanhos e curtos, sua barba mal feita, sua boca que eu tanto gosto, e então parei, um sorriso me escapou pelo canto de meus lábios, e eu ainda lutava para esconder o fato de eu estar ridiculamente sem chão, na realidade, era esse o efeito que você tinha sobre mim, todas as vezes que me esquentava com seu olhar íntegro.
Era um momento comum, que eu o transformei em um dos nossos momentos mais especiais, não que você saiba (talvez, agora), quando o ponteiro voltou a ativa de maneira tão ligeira, meu coração voltou a bater, voltei a respirar, e nos desprendemos de uma conexão.
Tudo voltou ao normal, continuei a ser a garota que omite os sentimentos, e você a fingir ser algo que nunca foi, o único problema, e meu maior problema, é que até hoje, não consegui recuperar a perda da sua enchente em mim, e juro que ainda sinto resquícios de água fazendo marés, para perturbar e confundir meu coração.
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Pessoas que são inseguras sempre tendem a ser pessimistas, e tem sempre um "e se" antes de suas atitudes. Eu sou uma dessas pessoas, sou insegura, receosa, pessimista e sempre falo o "e se"...
Costumo dizer a mim mesma, vivo tanto pensando nas possibilidades para dar errado no futuro, que esqueço de acertar no presente.
Sempre coloquei meu corpo e alma à frente de tudo, me entreguei por inteira, e sempre esperei que fizessem o mesmo. Afinal fazia isso exatamente para que me retribuíssem da mesma forma.
Nem todas as experiências são boas, e as minhas, sem exceções, foram péssimas. A primeira vez que aconteceu, foi logo quando descobri a função do coração, não a de bombear sangue, não a científica, a poética, a de bombear amor e prazer.
Foi quando senti em carne e unha o que era gostar de alguém de verdade, não era aquela coisa de "hm, gosto.", era um sentimento mútuo e constante, cheio de variáveis inexplicáveis, me fazia transbordar toda vez que o via, e mesmo sendo uma época difícil para mim, ele coloria meus dias. Era um sentimento jovial e aveludado, gostoso de ser sentido.
Logo após, uma queda. Não foi culpa dele devo ressaltar, eu mesma me perdi no que era real, e no que eu inventei baseado em sonhos e vontades. Mas a queda não foi tão feia, machucou, doeu, deixou marcas, despejei lágrimas, e no fim foi uma lição.
Sempre quando você supera a fase "mais difícil por qual já passou", suspira aliviada, se esquecendo que o jogo ainda não está acabado, e que a vida é gradativamente destrutiva, até que você perceba que querer lutar para ganhar o posto é para os fracos, seu posto quem impõe é você mesma.
Não fazia ideia disso, e minha próxima fase foi a pior de todas, foi a que me deixou as piores marcas, a que não me deixou boas lembranças, as que eu considerava como boas se dissiparam na verdade, porque eram das mais ridículas mentiras. Talvez eu tenha tido uma boa lição, mas sou uma discípula do errado.
Só sei que em meu banal ponto de vista estava tudo certo, ele era diferente dos outros, era atencioso e fazia discursos sobre eu me abrir mais, não era sua intenção me machucar, ele queria ajudar, me amar... Toda vez que me lembro disso rio, sabia?
Era a única tola a acreditar. Passou? Passou, aliás, tudo passa. Chorei, gritei, fiz birra, fiquei de mimimi, me fiz de vítima, fui a vítima, fui a errada. Quando estamos decepcionados por amor, fazemos a merda sabendo que estamos fazendo merda, e muitas vezes é proposital.
Só sei que depois daí virou uma bola de neve, ele conseguiu perturbar tanto minha cabeça, que um dia parecia uma hora, passava em um piscar de olhos, e eu não tinha rido nem sofrido, não estava aproveitando minha vida.
Uma hora tirava ele da cabeça, outra o colocava de novo por vontade própria, tinha vez que eu o odiava, outras que eu o amava. Até hoje nunca entendi essa fase...
Um dia pensei que teria achado o cara certo, mas ao mesmo tempo ele era errado. Eu gostava dele, mas não com todo meu coração e vontade, por mais que tentasse. E por mais que eu não quisesse, sempre tinha outros que me chamava mais atenção. A partir daí percebi que não daria certo, e depois de tantos dias pensando que o amava, no fim mal gostava.
Depois de tantas experiências estranhas, e ruins, me fechei, não propositalmente, eu nem sabia que era fechada até me contarem.
Não consigo confiar, não consigo acreditar, nem aceitar, muito menos ser positivista com relação ao namoro, e um dia chegaram para mim e disseram "Seu amor futuro não tem culpa da sua decepção do passado!", e não é que é verdade?
Perdi muitas oportunidades me fechando a elas, mesmo que as quisesse, não tinha coragem, nem vontade de me arriscar novamente. Mas o que seria de nós sem se arriscar?
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Ao contrário dos meus outros textos, esse não é sobre ele, é um desabafo sobre mim, pra mim.
Não é sobre um cara, uma amiga, um familiar, ou um desconhecido, não é sobre meu cachorro, ou como fiquei aborrecida hoje por o almoço não ter sido lasanha.
É apenas varias bobagens em conjunto, que preciso botar pra fora, não se obrigue a ler minhas implicações, feche a guia agora mesmo, isso é mais para mim, do que para qualquer outra pessoa!
As vezes sinto como se eu não fosse o suficiente sabe? Que eu sou apenas mais uma virgula, em um livro de 527 páginas, é como se todo o esforço que faço fosse em vão, nunca notado.
Talvez seja assim hoje em dia, eu só preciso aceitar, ou o problema é realmente comigo, pois eu cansei de fazer tanto pelas pessoas, mesmo que não demonstre, o quanto faço por ela é importante para mim.
Não quero nada em troca, pelo contrário, mas sempre fico em segundo plano, sempre me desvalorizam.
Meu jeito de extrovertida faladeira, não passa de máscara, as pessoas nunca me viram triste, nunca de verdade, as vezes, como qualquer outra pessoa, é inevitável derramar lágrimas em público, mas eu sou bem mais do que me descrevem, sou bem mais do que minha embalagem, sou bem mais do que aparento.
Quero que enxerguem meu potencial, quero que parem de se referir a mim como diminutivo, quero fazer a diferença, ser o final do livro, ou o inicio.
Eu nunca fui mais uma adolescente vazia na sociedade, mas atualmente é somente o que enxergam, vivo lutando para mudar essa visão das pessoas.
Me intitulam de milhares de maneiras, menos da maneira correta. Quero um basta, chega de se referir a mim como qualquer uma, quero ser "A".
A questão é que sempre depositei toda minha fé nas pessoas, amigos ou não, eu coloco confiança, esperança, e ternura, é inocente da minha parte, pois mesmo tendo um histórico de decepções, não consigo ver uma pessoa que sempre esteve ao meu lado, riu e chorou comigo, me apunhalar pelas costas, sinceramente isso não faz sentido para mim.
A história é essa, e eu estou cansada, quero viver por mim, onde um não tenha que julgar o outro, cada um diz o que é, o que acha de si mesmo, e nós apenas aceitamos, sem opinar, reclamar, ou julgar.
Pedir paz é muito? Pedir um tempo? Chega de pessoas vazias, chega de mim, chega de julgamentos!
Eu estou dizendo um "Adeus" a essa vida de hipócritas idiotas, eu mereço mais, eu sou mais, e não preciso de ninguém para afirmar ou negar o que digo, sou ou deixo de ser.
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About me



Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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