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Mandy Brancalion



Os olhos perdidos em meio a peles, quentes, bronzeadas, branquelas e negras. A boca confusa, com os lábios sem rumo.

Me lembro da lua cheia e da noite fresca. 
A lua refletia em pequenas poças de água perto da guia da calçada, meus olhos captavam fragmentos, cada um com uma certa particularidade que passei a gostar. Entre eles, cito: castanho, linhas, cinza, preto, mãos, música boa, gargalhadas, divergências, um bom debate político, afinidade, belo sorriso sincero, sentimentos sem começos ou fins, entrelaçados, causadores de confusão.
Todos se prendem a definição, nascemos a querendo, e o que dizer das consequências daquela noite em que fomos encontrados na rua silenciosa, dançando na escuridão da lua?

Nada, nos perdemos em encontrar uma definição para os outros, e esquecemos do que realmente importava. Eu e tu.
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Quatro horas da manhã, dia quinze de julho de dois mil e dezessete.

Me encontrava na varanda, sentado em meio do silêncio que o ambiente proporcionava, meu cigarro no cinzeiro, e podia ouvir a música do meu vizinho, Chico Buarque.
A noite estava totalmente agradável para um apaixonado perseverante, o céu límpido, com poucas estrelas que o pontilhava. Bebia uma taça de vinho barato, e mantinha os olhos firmes na vista de uma pequena viela, via com clareza o que acontecia na casa da Elis, pelas suas grandes janelas de vidro. Gostava de bisbilhotar suas noites, não como um stalker, mas como um observador.
O namoro de Elis, era como um jogo, não era nada fácil, muito menos algo que fluísse com liberdade. Seus movimentos e falas eram pensados com antecedência, necessitava de estratégias, mas ainda sim denominado como amor.
Todas as noites, ela e seu namorado iam para o quarto, como um casal jovial e apaixonado, cheios de fantasias. Não fantasias sexuais, fingiam ser quem não eram, se vestiam de outro, cobriam-se de brasa, e ardiam em chama. Ardente. Fogo. É a palavra que eu definiria seu namoro, algo que esquenta, mas arde, machuca e dói.
Seu namorado era inconstante, por vezes apresentava-se violento, a fazia se sentir incapaz, a xingava, menosprezava, espalhava sobre ela a má fama, mas nada que ele não pudesse se desculpar com algumas curtas horas de cama.
Já a vi inúmeras vezes desmontar, logo que ele lhe vira as costas para ir embora, satisfeito de prazer, e ela se banha de lágrimas, obrigatoriamente satisfeita, mas de tanto ter que engolir desaforos calada. Tentei ajudar muitas vezes, sou um apaixonado perseverante, um apaixonado por seu sorriso singelo, e olhos pequenos, levemente puxados, seus cabelos negros lisos. Sou um apaixonado perseverante, um apaixonado por Elis, que é apaixonada pela dor e sofrimento. Coração masoquista. 
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Cobrem desesperadamente minha alma, mas despem meu corpo com a mesma ansiedade.
Pedem para que eu me cale
Mas que tire mais uma peça de roupa, só mais uma!
Me contam tantas mentiras, apunhalam minha inocência, e aos poucos me torno pedra.
São tantos toques sem calor, sem reciprocidade, que vou me congelando, me tornando parte da maioria. Corações gelados. Almas vazias. Olhos acinzentados.

São dois lados em luta constante. Amargura. 

Liberdade! Liberdade as mentes artistas, almas românticas, corações humoristas! Sociedade é uma cadeia de estereótipos, dos quais tememos, mesmo estando convictos de nós mesmos.

*

Tornando linhas pessoais, contarei minhas experiencias.
Uma mente moldada para o acolchoado, chocou-se contra pedras.
Levantei-me sem muito entender...

Não fale. Não fale. Não fale.
Toque. Toque.
Não sinta.
Goze.
Eram o que os sussurros me diziam.

Eu queria mostrar mais, ser mais, queria me descobrir, ou que me descobrissem, me explorassem, assim como me exploro
E dessa maneira, seria fácil enxergar um ponto
Um ponto que aquece,
um ponto bombeia,
e um ponto que na verdade é infinito, é enorme,
mas um ponto que hoje não enxergam.

Ninguém quer saber das tuas pinturas menina,
tire a roupa!
Ninguém quer saber da tua arte, mas se tua arte for ficar nua,
Mostre-a!
Coma!
Dê!

Ninguém quer saber de você, a menos que você seja apenas um corpo.
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Nesse fim de dia cobri meu rosto com noite e sangue, deixando um puro contraste entre olhar e fala. Parecia ter finalmente encontrado algum sentido pra vida, vesti a roupa que mais me agradava e parei em frente ao espelho... Foi ali que me perdi.
Minhas emoções e sentimentos sempre estiveram longe de ser algo certo, de caber em uma definição, são como fios emaranhados atrás da estante, de todos aparelhos eletrônicos que lá colocamos, mas nunca pensei que fosse capaz de me perder em uma tempestade, onde as nuvens fazem de parte de mim, e querem parar de chover. Por isso elas trovoam a pedido de socorro, e acidentalmente causam relâmpagos e raios afastando todos a sua volta, quando não os destroem ou machucam, anulando qualquer possibilidade de salvação.
Sou uma escritora romântica, mas precisava parar de falar tanto de você e começar a derramar um pouco de mim nessas linhas, aliás, você já não existe mais, não aqui. Aqui existem poucas coisas das quais sei nomear: medo, ansiedade, insegurança, preocupação, dúvida, tristeza, angústia, frustração, timidez e pessimismo... Estas estão tão bem alojadas dentro de mim, que já são como órgãos dos quais não sei viver mais sem, mas ainda tento inutilmente cuspi-los todos os dias. Diariamente me dopo, são três comprimidos diferentes, o primeiro é para acelerar o tempo, o segundo é para resolução dos meus problemas, e o terceiro é para esquecer quem já não existe mais, não aqui. Mas o tempo nunca passa, os problemas só aumentam, e o que era para esquecer, é uma clara e viva lembrança.
O mal se personifica e torna-se uma pessoa próxima, confiável, e me entrego de braços abertos, o abraçando com fervor. O tamanho do desespero não mede a quem agarrar, e esse é o meu erro.
A dor sobrepõe a razão, e me vejo em uma imensidão, uma imensidão de vazio, e eu me encontro no centro de tudo isso, sou o caos. Estou perdida dentro de mim, porque não sei me decifrar, e me tornei autodestrutiva!
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Cômodo escuro. Ambiente quente, toque quente, sentimento fervente. Nós. Um beijo. Sorriso seu, gargalhada minha. Olhos predadores. Boca descompromissada, vagando sem rumo. São as coisas mais marcantes que me lembro, do que me lembro, dentre tantas fases que passamos.
Nossos olhares eram como duas crianças brincando de pega pega, os meus olhos, fugiam, e os seus, corriam atrás.
Lembro-me perfeitamente do meu momento preferido com você, e ele não envolveu pele, nem boca, nem sussurros, muito menos suspiros. Se tratava de poucos minutos de silêncio, que se estenderam pela cama, que estávamos sentados, como lençol. 
Eram apenas três personagens, nós e a quietude, o clima totalmente adequado e propício para causar desconforto, mas com você foi diferente, não houve desconcerto de nenhuma parte.
Pela primeira vez, seus olhos sustentaram os meus, que já estavam cansados de se esquivarem. Dizem que o olhar é porta da alma, e apesar de não conseguir nenhuma resposta em seus olhos escuros, encontrei conforto e segurança, e de alguma maneira, totalmente subjetiva e intangível, me deparei com verdade, sanando minhas dúvidas.
Naquele silêncio eu te descobri de forma desnuda, e o nosso encontro foi tão bonito, e ao mesmo tempo, direto e esclarecedor. O relógio havia parado, e eu estava perdida, tinha mergulhado de cabeça, sem volta, me inundando por completa de ti, hoje duvido que tenha sido a coisa mais inteligente a se fazer, mas naquele momento, naquela hora, naqueles poucos minutos, que eu fiz deles dias, foi sem duvida fascinante, eu estava fascinada, fascinada por você.
Me permiti te tocar com os olhos, já que sou caracteristicamente uma pessoa observadora, detalhista, e minuciosa (em alguns casos), percorri seus cabelos castanhos e curtos, sua barba mal feita, sua boca que eu tanto gosto, e então parei, um sorriso me escapou pelo canto de meus lábios, e eu ainda lutava para esconder o fato de eu estar ridiculamente sem chão, na realidade, era esse o efeito que você tinha sobre mim, todas as vezes que me esquentava com seu olhar íntegro.
Era um momento comum, que eu o transformei em um dos nossos momentos mais especiais, não que você saiba (talvez, agora), quando o ponteiro voltou a ativa de maneira tão ligeira, meu coração voltou a bater, voltei a respirar, e nos desprendemos de uma conexão.
Tudo voltou ao normal, continuei a ser a garota que omite os sentimentos, e você a fingir ser algo que nunca foi, o único problema, e meu maior problema, é que até hoje, não consegui recuperar a perda da sua enchente em mim, e juro que ainda sinto resquícios de água fazendo marés, para perturbar e confundir meu coração.
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Eu conseguiria facilmente escrever essa história em poucas e singelas linhas, desnudas e cruas, mas não estaria sendo justa comigo, já que demonstro tão pouco, mas sinto apenas imensidões e infinitos.
Existem pessoas que tem forte atração e interesse em quem a faça sair da rotina, pessoas que torcem desesperadamente para que alguém apareça em sua porta no meio do dia, atrapalhando suas tarefas, e a leve para viver uma aventura não planejada, e sem previsão para fim ou visão de futuro. Já eu, fujo dessas pessoas, não gosto do novo - talvez porque não consiga controla-lo e manuseá-lo com facilidade e maestria -, mas a falta de planejamento me assusta, a falta de prazo e compromissos me deixam louca, talvez por ser pontual e sistemática demais, devo culpar o meu signo? É capricórnio, antes que perguntem.
Então, por um carinho que partilhamos em comum, você entrou minha vida como um fino fio d'água, que em tão pouco tempo foi se encorpando, ganhando força... Hoje você já um riacho que escoa dentro de mim, nasce quente em nossos beijos, escorre morno pelo coração, aquecendo o sentimento, e gela por fim, provocando um desconfortável e ao mesmo tempo incrível frio na barriga.
Somos opostos em muitas coisas, e esse é o nosso clichê, o clichê do qual me renderá inúmeros textos aqui, mas é o primeiro clichê da vida real que gostei. Está me inundando aos poucos, você me mostrou tantas facetas da vida, aquelas das quais eu tinha receio de provar, e ainda tenho tantos medos, mas você me prometeu tirá-los de mim, um por um, e acredito que assim fará.
Você é o tipo de pessoa que todos adorariam, vive intensamente e como se não houvesse amanhã, eu tinha certeza que era assim também, mas porque quando nos aproximamos me sinto tão careta e inconfortável?
Tu me bagunçou, tu me coisou, me deixou perdida, me nocauteou com teu sorriso descompromissado de uma maneira tão gostosa, que por mais que eu odeie não ter controle sobre as novas experiencias que você me proporciona, não sou capaz de reclamar, todo tempo com você compensa, você faz valer a pena.
Ainda sinto medo das aventuras nossas de cada dia, mas não posso ser desonesta comigo mesma, tenho que admitir que no fundo estou adorando tudo isso, não pelas experiencias, mas por poder estar tão perto de você, para sentir seu toque quente sobre minha pele arrepiada, e seus suspiros quando meus lábios gélidos tocam seu pescoço. Até agora acho incrível sermos tão opostos e nos encaixarmos tão bem, mais do que fisicamente, sentimentalmente e psicologicamente, temos polos negativos e positivos, hora se repelem, hora se atraem, fazendo ser tudo totalmente incerto, mas completamente constante, me provocando tantas certezas e tantas dúvidas, nos permitindo sentir mais, e criar uma curiosidade sem fim, não sobre você, ou sobre mim, uma curiosidade infinita sobre nós, e até onde iremos chegar.
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Nossos sentimentos um pelo outro foram selados por nós mesmos, e era tão inconstante, instável, mas ao mesmo tempo, intenso, verdadeiro e puro.
Sempre tivemos uma amizade baseada em lealdade, era como se eu sentisse a necessidade que você soubesse de tudo que acontecesse comigo, independente de nossas condições, se estivéssemos brigados ou não, mesmo se não fosse uma boa hora, eu queria te contar, e sempre esperei uma retribuição da mesma forma, sendo a maioria das vezes correspondida a minhas expectativas.
Já fui acusada de ser fria, ou grossa, por simplesmente dizer o que era preciso, sem ladainhas, não me importando se doeria, mas antes doloroso do que mentiroso, não é?
Me peguei inúmeras vezes, me perguntando, porque você? Te juro, ainda não tenho uma resposta plausível. Sei apenas que eramos uma excelente dupla.
Usamos nosso sentimento forte de alicerce para nossas construções, e a nossa confiança um no outro sempre foi a nossa arma mais forte contra quem nos queria separados. Superamos tantas fases ruins e tiramos com nossas próprias mãos - tendo a maior delicadeza do mundo - os piores defeitos um do outro.
Dizem que tudo que é bom acaba, que nada é para sempre, mas eu acreditei com todas as minhas forças que eramos superiores a isso. Influências, malevolências, eu distante e você fraco e manipulável, depois de tantos avisos e tempo que fomos o sustento um do outro.
Não acabou, mas enfraqueceu, e deixou de ser tudo aquilo que eu admirava, e que os outros invejavam.
Suas novas amizades distanciaram nossos ideais, em poucos meses você estava sempre ocupado demais para mim, aos sábados de noite, onde costumávamos guardar nossas confissões, se tornou seu dia preferido para esquecer de quem você era, encher a cara, provar coisas novas...
Tínhamos planos juntos para o futuro, viagens e descobertas, estudos... Prometemos desfrutar das boas experiências em conjunto, mas você já está tão avançado, fez tudo sem mim, usufruiu de todo o bom, e agora está afundando com uma porção de pessoas vazias no mau.
Posta fotos cheias de pessoas, sorridentes e chapadas, likes e comentários, sua localização é sempre a mesma, mas tem certeza que sabe o caminho?  Porque te vejo tão perdido.
Hoje tenho novas pessoas ocupando minha vida, pessoas maravilhosas, que me amam, talvez não na mesma intensidade que você, mas tenho a segurança de que nunca vão me abandonar, não da maneira tão repentina e fria como você fez. Ainda tem um espaço em mim, que costumava a te pertencer, as vezes penso ter sentido uma dor nesse buraco, e volto a tentar te recuperar, mas de ti só recebo desinteresse, e suas palavras são sempre tão cheia de felicidade, mesmo que carreguem tão pouco e sua feição diga o contrário.
Eu prometi a mim mesma que não me desgasto mais do que já fiz esses últimos anos, tentando te trazer de volta para mim, não consegue enxergar que seu lugar é aqui?
Mesmo que haja toda essa indignação de seu novo eu de minha parte, sempre deixarei seu lugar aconchegante para quando quiser voltar. Esse texto tem um único e breve propósito, dizer e afirmar com toda convicção e letras que eu ainda amo meu ex... Meu ex melhor amigo.
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Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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