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Mandy Brancalion


- É uma boa! - ele brincou.
Como ainda não tinha pensado nisso? Fiquei tão sem jeito perto do Jason que esqueci do meu celular, de tudo...
Peguei o celular na bolsa, procurei rápido nos contatos e liguei.
- Lua?
- Hey! - ela sussurrou - Pensei que você soubesse que estou no cinema!
- É urgente!
- Pode falar baby, estou saindo da sala infelizmente, espero que seja realmente urgente porque eu não estou largando o Thomas sozinho a toa sendo que custei para arranjar um encontro com ele.
- Desculpa. - lamentei, porque ela deu duro mesmo para chamar atenção dele - Eu estou perdida!
- Perdida? - ela gritou - Como assim menina?
- Eu não lembro como vim parar aqui... - Não sei como vim parar aqui e isso era estranho. - Consegui a ajuda de um garoto...
- Um garoto? Ele é gatinho? Se for não esqueça de me mencionar com as melhores qualidades, e pode dizer algumas mentirinhas. - ela interrompeu.
Sorri, a Lua sempre foi assim e eu a adorava daquele modo, o Jason seguia o caminho um pouco mais a frente dando privacidade a nossa conversa.
- Lua, não perde o foco! - falei severa - Eu perdida lembra?
Não vi o rosto de Jason, mas senti que ele estava rindo de nossa conversa.
- Tudo bem, e você está aonde nesse exato momento?
Onde eu estava? Tentei ler algumas placas, mas estava no começo de uma nevasca já eram seis horas da tarde, estava quase impossível ler alguma coisa.
- Jason! - chamei.
Ele se virou, caminhou até mim com passos apertados.
- Onde estamos?
Tentei dar um sorriso atrativo, mas missão fail ele mal olhou para minha cara ele caminhou olhando para seus tênis, envergonhado talvez?
- Está difícil de ler alguma coisa, mas tenho quase certeza que aqui é Church Street, se ela quiser um lugar mais especifico, daqui vinte minutos chegamos á Farmin Park. - ele disse apontando para a próxima rua que iriamos entrar.
-Estamos na Church Street, mas se fica mais fácil daqui vinte minutos estaremos a frente do Farmin Park.
- Okay. - respondeu a Lua. - Eu irei chegar em meia hora, logo após de destruir meu encontro com Thomas. - ela reclamou.
- Desculpa, irei te recompensar. - me senti culpada.
- Com cupcakes da Lola's!
- Cupcakes da Lola's. - repeti com um sorriso.
Desliguei meu celular, e o coloquei na bolsa Jason observava meus passos a espera de uma noticia.
- Ela chegara em meia hora.
- Ótimo - ele sorriu. - Farmin Park não é muito longe, não se preocupe conheço Coldwater como a palma da minha mão.
Não conseguia dizer, apenas sorri e afirmei com a cabeça, seus olhos que em pouco tempo me fizeram apaixonar-se estavam capturando cada detalhe. Um silêncio ocorreu.
- Maia né? - ele fez uma pausa. - Para cortar o silêncio que tal perguntas para nos conhecermos?
- Ótimo.
- Quantos anos? - ele perguntou.
- 17 e você?
- 18. Gosta de animais? - ele riu de sua pergunta.
- Sim, principalmente de cachorros tenho três e você?
- Cachorros, tenho dois. Gosta de que tipo de comida?
- Italiana, sou apaixonada por massas! - sorri deixando escapar uma gargalhada estranha.
-Hum... Me deu fome!
Nossos olhares cruzaram e gelei, desceu um frio na barriga e me deixou ansiosa, ele sorriu meus olhos percorreram seu sorriso tão marcante e ele desviou o olhar para o chão.
- Namorado? - ele perguntou de cabeça baixa.
corei.
- Não...
- É... Eu também não.
Uma felicidade súbita veio até mim e deixei escapar um sorriso que Jason percebeu.
- Você trabalha? - cortei o gelo.
- Sim, trabalho em uma Starbucks perto da minha casa.
- Trabalho em um pet shop, cuido dos passeios dos cães, é uma bagunça! - ele riu.
- É estranho... - ele suspirou.
- O que?
- Conhecer uma pessoa assim, depois disso o que vai acontecer?
A pergunta dele era intrigante e eu tinha a sensação que ele queria muito a resposta, sem deixar escapar respondi na certeza.
- Podemos manter contato.
Ele sorriu.
- Posso te fazer uma pergunta? - perguntei.
- Sim.- tentávamos desviar os olhares.
- Porque veio até minha mesa no Starbucks?
- Você estava sozinha...
- Estranhos, não se sentam com outros estranhos apenas porque estão sozinhos. - tentei falar sem me enrolar.
- Ta bom, vou admitir te achei interessante.
- Sou interessante? - perguntei surpresa.
- Sim, ruiva... olhar tímido...
- Tímido?
- É.
Então nossos olhares se juntaram como imãs no mesmo momento, e um sentimento louco fez meu coração acelerar parecendo uma escola de samba senti nossos corpos se aproximarem, e já estávamos perto o bastante para...
- Chegamos ao Farmin Park. - ele cortou.
E a realidade bateu sem dó, eu nunca conseguiria ficar junto a Jason, se apaixonar por um estranho é a loucura mais impossível que já achei que daria certo, e como sempre fui tola o suficiente para acreditar que aconteceria.
- Desculpe. - ele lamentou.
Minhas palavras foram engolidas por mim mesma, uma decepção repentina me apareceu e eu não consegui dizer, nem olhar mais para Jason, me senti tão burra a acreditar em uma coisa como essa poderia acontecer, fora do livro era impossível.
Senti Jason me observando, rapidamente olhei para o lado, as ruas estavam desertas e eu não queria que Jason soubesse o que estava sentindo.
- Maia? Desculpe se fui...
- Tudo bem - interrompi.
As palavras quase não saíram, Meu Deus estou ficando louca? Estava desafiando, meus sentimentos por Jason era como se já o conhecesse a séculos, me senti ridícula.
Pude ouvir o carro de Lua virando a esquina e então acalmei, nunca mais veria Jason e um coração partido por pouco tempo é melhor do que a dor de uma paixão não correspondida por tempos. Lua parou seu carro logo a nossa frente e abriu o vidro.
- Entrem. - seus olhos percorreram por Jason. - Porque não me disse que ele era gato Maia?
Geralmente riria da situação se eu não estivesse acabado de levar uma surra da realidade entrei no carro sem dizer uma palavra sequer, Jason sentou ao banco traseiro, então Lua começou a tagarelar, perguntou sobre toda a vida de Jason inclusive se ele tinha namorada. Senti que ele estava incomodado com as perguntas da Lua e que constantemente ele olhava para mim, mas encarei a imensidão de neve através da janela ignorando-o.
Lua nos deixou em casa e antes que eu a dissesse que Jason não ficaria comigo ela partiu.
- Maia, me desculpe...
- Não precisa se desculpar, vou para casa...
De frente para porta procurei minhas chaves na minha tira colo cinza, uma lagrima logo desceu limpei antes que alguém percebesse.
- Maia.
Impaciente virei e ele estava tão perto que antes de dar um passo para trás ele me beijou, senti seu cheiro de hortelã de perto, seus lábios tocando os meus, seu nariz gelado e cada vez diminuíamos a distancia entre nós, ele me puxou para mais perto pela cintura e eu segurei sua nuca.
Nunca pude pensar em viver uma história como essa, me apaixonar por alguém que conheci a tão pouco tempo e ainda ser correspondia poder estar com ele naquele momento fez meu coração explodir de alegria, fiquei arrepiada senti ansiedade e meu coração batia cada vez mais forte quando ele passava a mão em mechas do meu cabelo.

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- Maia? Maia? - ouvi gritos da minha mãe. - Será possível? Mesmo abrindo a janela você a fecha e volta a dormir!
Estava no meu quarto, debaixo de três cobertores, cercada de travesseiros. Tudo foi um sonho? Não... Não... Jason não existe? Eu amo alguém que não existe?
- Jason está te esperando na sala, esqueceu que hoje é o aniversario de vocês? Pelo amor você falou disso ontem o dia inteiro, essas adolescentes estão cada vez mais malucas! - Jason?
- Jason? Aniversario?
- Seu namorado... Em que mundo você está hoje?
Jason era meu namorado? Abri o maior sorriso que minhas bochechas suportaram, pulei da cama para o closet coloquei as melhores peças de roupas que tinha, me olhei no espelho trezentas vezes até achar a perfeita, arrumei meu cabelo, passei maquiagem, totalmente feliz corri pelos corredores desci as escadas ansiosa, tropeçando em meus próprios pés e quando finalmente cheguei a sala... Jason!


Para acompanhar:
Parte 1
Parte 2










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Seus olhos esverdeados riam, mordi o lábio inferior e pensei Ferrou, estou parecendo uma abobada falando tudo errado. Por isso você não tem namorado, imbecil!
- É que sabe, tenho memória péssima e com essa neve tudo é igual.
- Eu poderia te acompanhar, sua casa é muito longe?
- Não... Não muito.
Já saquei que eu tinha acabado de conhecer Jason, mas ele parecia inofensivo. Enquanto o meu racional dizia para pular fora de se apaixonar por um estranho, o meu irracional era mais forte e dizia totalmente ao contrario.
Ajeitei minhas luvas, e ele tinha um leve sorriso estampado no rosto. Peguei meu celular em cima da mesa e sai com passos apertados só de pensar em enfrentar aquele frio congelante do outro lado da porta, senti Jason seguindo meus passos.
Quando passei pela porta meu estomago apertou, o frio era tanto, mas não lembro do que tinha na cabeça para sair de casa tão "sem roupa", para falar a verdade não lembro de nada antes de encontrar a Starbucks, mas eu não dei muita importância.
- Então o que te trouxe aqui, nessa cidade que não tem N-A-D-A? - perguntei tentando cortar o silencio.
- Eu não sei... Depois que minha mãe morreu vim parar aqui.
- Sinto muito.
Já está resolvido, vou ficar de boca fechada. Em menos de uma hora ele já deve me achar uma demente inconveniente.
- Não, tudo bem. - ele fez uma pausa - Esse assunto não me incomoda mais.
- Ah... O.k!
Em um pouco de silencio meus altos pensamentos me levaram para longe, Jason passou uma rápida olhada em meus olhos.
- Está com frio? - Ele falou apertando os ombros.
- Está-tá tudo be-bem! -  Gaguejei batendo os dentes.
Ele deu uma leve gargalhada, e finalizando com seu sorriso encantador. Ele olhava para seus pés levantou as sobrancelhas e lançou o olhar para mim.
- Tome. - Falou ele tirando o casaco.
- Está maluco? Quer morrer de frio?
- Eu estaria maluco, se deixasse você morrendo de frio!
Ele me ajudou a colocar o casaco, suas mãos estavam extremamente geladas, tirei minhas luvas, entreguei e ele assentiu com a cabeça, como um obrigado.
Suas mãos dirigiram ao bolso e de lá ele tirou seu celular, ele balançou o celular tocando.
- O que é? - Ele falou impaciente, mas educado. - Sim... Na verdade estou ajudando uma garota a encontrar a casa dela.
Só o que me faltava, agora sou a garota perdida! Eu não tinha para onde fugir, mas estava com muita vergonha. Provavelmente ele devia estar falando com sua namorada, uma menina linda de olhos azuis cabelos longos e sedosos. Bem melhor que eu uma ruiva, desengonçada com os olhos cor de mel.
Ele guardou o celular no bolso novamente, e parecia estar um tanto zangado, ele bufou e continuou olhando para o chão.
- Então... - Nossos olhares se encontrara e um sorriso surgiu. - Para que lado é sua casa?
Eu estava vidrada em seus olhos, quando repeti para mim mesma várias vezes: Não se apaixone por um estranho, não se apaixone por um estranho, não se apaixone por um estranho!
- Você esta bem? - ele riu.
- Ah... Claro... Já disse que estou perdida?
Ele sorriu mais uma vez, será que serei julgada de se apaixonar por um menino que conheci há vinte minutos atrás? Com certeza!
- Tudo bem... - ele pensou - o que vamos fazer então?
- Eu vou ligar para minha amiga Lua.

Para acompanhar:
Parte 1





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Quando acordei a janela já estava aberta, ou seja minha mãe tinha entrado em meu quarto. Morrendo de sono finalmente consegui virar e enfiar a cara no travesseiro, ainda eram oito da manhã e em pleno sábado de inverno, minha mãe tinha que escancarar a janela?
O vento gelado bateu em meu rosto e estremeci. Criei coragem, então levantei com o pé no chão gelado corri e fechei a janela o mais rápido possível, em um pulo voltei para baixo dos cobertores.
Chequei o rádio relógio, e pequei meu livro que estava do lado da cama em cima do criado mudo.
Abri o livro - página 45 - continuei a ler, meus olhos pescaram, o sono estava voltando, lutei contra mas já não estava entendendo nada do livro e o sono predominou.

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Toda paisagem era branca, chegava a doer os olhos, não sabia onde estava, no meio de tanta neve, tudo era branco tudo era igual.
Perdida continuei andando soprando minhas mãos com o propósito de esquenta-las, mas minhas pernas endureceram com o frio, e meu joelho latejava a cada passo, minhas duas calças já não me esquentavam mais. 
Com um olhar perdido corri os olhos em toda aquela brancura de cegar, ninguém, eu estava absolutamente sozinha. Um pequeno desespero bateu, odiava ficar sozinha, corri algum tempo a procura de algum estabelecimento aberto, mas eu não consegui encontrar nada.
Depois de uns dez minutos de caminhada encontrei uma Starbucks, com as forças quase esgotadas caminhei contra o vento segurando o meu gorro.
Abri a porta de vidro e um sininho soou. Bati as botas no chão tirando o excesso de neve - Ah que delicia era lá dentro, bem quentinho! - todas as mesas estavam vazias, menos uma, nela estava sentado um garoto seus olhos verdes brilhavam, sua pele era pálida, seu topete loiro saia para fora de seu gorro preto que dava um certo charme a sua feição.
Nossos olhares se encontraram e eu rapidamente olhei para o chão tentando disfarçar, passei evitando observa-lo.
Pedi um cappuccino e um browie, enquanto procurava trocados no bolso da minha jaqueta, olhei para o garoto de costas, ele era atraente e eu estava pensando seriamente em sentar junto a sua mesa, mas era bobagem, passei por ele e sentei duas mesas mais longe, mas virada para ele. Ele mexia em seu celular e constantemente nossos olhares se encontravam, ele lançou um sorriso e uma covinha apareceu. Sem pensar um enorme frio na barriga me apareceu, tinha certeza que tinha ficado vermelha.
Levei minha mão até o bolso para mexer em meu celular, havia duas chamadas e uma mensagem perdidas no meu celular, era da minha amiga Lua, na mensagem dizia: Onde você está maluca? Você não vai ao cinema? Vários gatinhos! soltei uma pequena gargalhada silenciosa.
- Posso me sentar? - Direcionei meu olhar ao garoto loiro, seu sorriso era encantador.
- Claro! 
Ele se sentou, e por alguns minutos trocamos olhares envergonhados, ele escondia seu sorriso, e eu capturava cada detalhe.
- Meu nome é Jason. - Ele falou com um sorriso no canto do rosto.
Um pensamento tomou minha cabeça, eu simplesmente amava aquele nome e em menos de segundos que se conhecemos já estava começando a gostar dele mais do que devia.
- Meu nome é Maia. 
Seus olhos brilhavam e eu ficava cada vez mais interessada nele.
- Você é daqui? - Eu perguntei arrumando uma mecha teimosa do meu cabelo.
- Mudei recententemente.
Antes de pensar em uma desculpa melhor para convida-lo para sair falei.
- Eu poderia te mostrar a cidade. - Sério Maia? Não tinha uma desculpa melhor? Tipo levar ele para ver sua bisavó lutar judô?
Ele riu.
- Tudo bem, amanhã? 
E cada vez mais meu coração se derretia como manteiga.
- Sim, bom eu já vou indo, tenho que achar minha casa! 
- Achar sua casa? - Falou ele se levantando.
Refleti no que havia acabado de dizer, como posso falar tantas coisas erradas nas horas erradas?
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Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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