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Mandy Brancalion



Minha bagunça, eu nunca consegui organiza-la, já tentei a colocar, em cores, ordem alfabética, por mais procurados, e não, nada disso nunca adiantou, tudo sempre volta para a mesma insanidade.
Por isso concluí que a vida deve ser levada como quer... Plantas perto da janela, todos os cobertores em cima da cama, sutiã em cima do ventilador, nada disso vai mudar a bagunça, nem a garota lá fora, nem as árvores através da janela, muito menos a garrafa de Jack Daniel's vazia, em cima da escrivaninha. 
Minha câmera não vejo há uns dias, os pinceis, e tintas estão esparramados pelo chão, assim como meu sangue, que me tirou aquele domingo, me cortando ao meio, com a frieza que corria em suas veias, e a indiferença que bombeava seu coração. É cada vez mais difícil acreditar em reciprocidade, ou responsabilidade afetiva, você me tirou tudo, inclusive minha inspiração para escrever qualquer merda! Duas ou três palavras, não tão boas, Cage The Elephant, e um olhar vago para fora, é assim que estou tentando levar esse texto, em uma tentativa banal de me encontrar novamente, já que me levou em seu bolso, sem me avisar para onde estava se mudando.
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Dizem que o amor é a cegueira dos olhos, e graças a meses de convivência com você, posso afirmar com provas concretas sobre isso.
Passei muito tempo da minha vida curvada por todos, mas eu cansei de implorar, eu tenho certeza da minha capacidade e quão longe eu posso chegar comigo mesma. Sei do que mereço, copos "meio cheios" não são úteis para saciar a minha sede. Já me acostumei a optar por erros e sofrimentos, mas você foi a minha escolha diferente, infelizmente quando as cortinas caíram, a minha descoberta foi que eu estava lidando com algo que eu já estava acostumada, só mais um (?)
Tu me teve em tuas mãos, de um jeito tão bonito que todos paravam para admirar, éramos de invejar. Como continuarei, tendo que mentir para todos que somos tão perfeitos? Me perdi no que era real e nos meus devaneios, mas quando a névoa abaixou, tive a conclusão que mais um vez, me apaixonei pela minha invenção. Sempre te admirei por corresponder tanto as minhas expectativas... Mas não tinha percebido que aquele lá, era eu.
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Os olhos perdidos em meio a peles, quentes, bronzeadas, branquelas e negras. A boca confusa, com os lábios sem rumo.

Me lembro da lua cheia e da noite fresca. 
A lua refletia em pequenas poças de água perto da guia da calçada, meus olhos captavam fragmentos, cada um com uma certa particularidade que passei a gostar. Entre eles, cito: castanho, linhas, cinza, preto, mãos, música boa, gargalhadas, divergências, um bom debate político, afinidade, belo sorriso sincero, sentimentos sem começos ou fins, entrelaçados, causadores de confusão.
Todos se prendem a definição, nascemos a querendo, e o que dizer das consequências daquela noite em que fomos encontrados na rua silenciosa, dançando na escuridão da lua?

Nada, nos perdemos em encontrar uma definição para os outros, e esquecemos do que realmente importava. Eu e tu.
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Eu conseguiria facilmente escrever essa história em poucas e singelas linhas, desnudas e cruas, mas não estaria sendo justa comigo, já que demonstro tão pouco, mas sinto apenas imensidões e infinitos.
Existem pessoas que tem forte atração e interesse em quem a faça sair da rotina, pessoas que torcem desesperadamente para que alguém apareça em sua porta no meio do dia, atrapalhando suas tarefas, e a leve para viver uma aventura não planejada, e sem previsão para fim ou visão de futuro. Já eu, fujo dessas pessoas, não gosto do novo - talvez porque não consiga controla-lo e manuseá-lo com facilidade e maestria -, mas a falta de planejamento me assusta, a falta de prazo e compromissos me deixam louca, talvez por ser pontual e sistemática demais, devo culpar o meu signo? É capricórnio, antes que perguntem.
Então, por um carinho que partilhamos em comum, você entrou minha vida como um fino fio d'água, que em tão pouco tempo foi se encorpando, ganhando força... Hoje você já um riacho que escoa dentro de mim, nasce quente em nossos beijos, escorre morno pelo coração, aquecendo o sentimento, e gela por fim, provocando um desconfortável e ao mesmo tempo incrível frio na barriga.
Somos opostos em muitas coisas, e esse é o nosso clichê, o clichê do qual me renderá inúmeros textos aqui, mas é o primeiro clichê da vida real que gostei. Está me inundando aos poucos, você me mostrou tantas facetas da vida, aquelas das quais eu tinha receio de provar, e ainda tenho tantos medos, mas você me prometeu tirá-los de mim, um por um, e acredito que assim fará.
Você é o tipo de pessoa que todos adorariam, vive intensamente e como se não houvesse amanhã, eu tinha certeza que era assim também, mas porque quando nos aproximamos me sinto tão careta e inconfortável?
Tu me bagunçou, tu me coisou, me deixou perdida, me nocauteou com teu sorriso descompromissado de uma maneira tão gostosa, que por mais que eu odeie não ter controle sobre as novas experiencias que você me proporciona, não sou capaz de reclamar, todo tempo com você compensa, você faz valer a pena.
Ainda sinto medo das aventuras nossas de cada dia, mas não posso ser desonesta comigo mesma, tenho que admitir que no fundo estou adorando tudo isso, não pelas experiencias, mas por poder estar tão perto de você, para sentir seu toque quente sobre minha pele arrepiada, e seus suspiros quando meus lábios gélidos tocam seu pescoço. Até agora acho incrível sermos tão opostos e nos encaixarmos tão bem, mais do que fisicamente, sentimentalmente e psicologicamente, temos polos negativos e positivos, hora se repelem, hora se atraem, fazendo ser tudo totalmente incerto, mas completamente constante, me provocando tantas certezas e tantas dúvidas, nos permitindo sentir mais, e criar uma curiosidade sem fim, não sobre você, ou sobre mim, uma curiosidade infinita sobre nós, e até onde iremos chegar.
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Querido Antônio,
Envio-lhe essa carta, cheia de pedidos, desculpas, arrependimentos e explicações. Espero do fundo do meu coração que seja compreensivo comigo, pois sou cheia de defeitos e indecisa até para escolher a cor do canudinho do meu refrigerante, seria de admirar se te respondesse rapidamente e com certeza, o que raramente acontece pois minhas palavras incertas são cheias de dúvidas.
Vamos começar pelos meus sentimentos, ele é o coração desse nosso problema.
Eu juro que sei que eu tenho problema ao escolher quem será meu próximo amor, mas também juro que não sei qual é o problema... Nem se eu fizesse uni duni tê daria tão errado.
Reparo em como você acompanha meus passos, e como toma conta de mim mesmo que de longe, mas me desculpe  ser quem sou.
Por mais que pense que não, eu sei todo o valor que possui e compreendo também seus sentimentos, desculpe, meu racional sabe de suas persuasões e luta completamente ao seu favor, mas um dia fiz uma promessa a mim que antes de agir teria que ser unanime e tanto o racional como o emocional teria que concordar, e bom... Um dos lados não te favorece.
Me desculpe Antônio, me desculpe por ser fraca, sentimentalista, dramática e exagerada, sei que gosta do meu jeito, mas eu me assumo como uma pé no saco!
Também peço perdão por ter apenas vinte e já te dizer que tenho tantos problemas, me desculpe por não te corresponder e me desculpe por estar escrevendo essa carta.
As vezes me sinto culpada, por te dizer uma coisa, e fazer completamente outra, fazendo mais uma vez com que você perca a fé em mim. Juro que não é de propósito, mas eu realmente não sei o que quero, porém sei do que preciso, mas sempre tem aquela minoria que por mais errada que esteja é a ela que você dá razão.
Eu realmente sinto muito por você ter escolhido a mim entre tantas outras, Antônio, eu poderia ser quem você quer, mas tenho meus defeitos, assim como você tem os seus, e eu espero que um dia seja capaz de me perdoar por essa despedida tão vazia, mas acho que seria incapaz de fazer algo mais elaborado sem me arrepender desse "Adeus".
Então aqui vão meus nove desculpas, e para finalizar te despeço com mais um.
Me desculpe por ser quem sou.

Abraços,

Paola.
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Não sei o que estou fazendo aqui... Geralmente recorro a linhas de mágoas quando preciso apelar, mas cá estou eu, tentando tirar algo de mim, algo que eu não sei o que é, não sei qual o efeito sobre mim, ou se me faz bem ou mal, só tenho uma coisa concreta no momento, é sobre você.
Eu estava sem saber até onde pisar, não conseguia andar sem tropeçar em minhas próprias confusões e dúvidas, estava tudo uma zona, sem eu me entender, sem entender os outros... Em meio a isso me isolei, e mais uma vez dei uma boa gargalhada a respeito das desavenças da vida sobre mim.
Só me lembro que lá estava você, e eu tropecei no meu cadarço no mesmo instante, e dessa vez literalmente, será que seria uma coincidência? Eu não sei.
Dias depois, era você, mesmo longe era você, na minha lição de matemática, na minha tristeza por outras pessoas, nas minhas risadas com amigos avulsos, era você até mesmo no meu chá que faltava açúcar!
E como entender isso? Sempre foi uma pessoa presente, porém imparcial em minha vida , e por um tropeçar de cadarço virou a mais interessante, e a que rouba meus pensamentos, mesmo quando estou concentrada em American Horror Story.
O estranho é que foi tudo muito rápido, dois dias depois de conversarmos durante um ano, comecei a me engasgar e corar, a cada letra que tentava pronunciar ficava enroscada na garganta, isso é um efeito colateral normal? Ou tenho que reduzir as doses de você que tomo no café da manhã?
Como sempre comecei a criar mirabolantes teorias, não sei me apaixonar, sei viciar e agir como psicopata, isso conta como gostar de alguém?
Eu ficava tristes por situações que eu imaginava e meu coração acelerava a toda vez que fechava os olhos, pois era com você que sonhava.
Dá para acreditar que já cheguei a levantar a hipótese que você poderia gostar de mim? As vezes minto para mim mesma e começo a acreditar como se fosse a verdade mais concreta do mundo. É muito mais fácil do que ficar com os cotovelos e joelhos ralados depois de ver a áspera verdade.
Hoje, continuo na mesma, porém com curativos nos cotovelos e joelhos, e conformada com a verdade, á pergunta é... Por que ainda insisto em você? E por que estou tomando tanto chá faltando açúcar?
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About me



Mandy Brancalion (@mandy.oca). Dezoito anos, adolescente atípica alternativa, apaixonada pela vida, viciada em sorvete.
Quer ser uma sereia com uma pitadinha de gótica quando crescer.
Cry Baby, fã de MPB e Indie. Fotógrafa, que cursa Modelagem de Vestuário, e quer ser estilista independente.
Sonhadora positivista, colecionadora de versilharias de apaixonados amargurados.

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